domingo, 7 de setembro de 2003

DIA ZERO - FINALMENTE O SONHO IA COMEÇAR

Não sei ao certo quando tudo começou. Sei que queria continuar a ser cidadão do mundo. O que levámos daqui são recordações. Queria algo mais que Portugal e a Europa. Tinha de ir ao “lado de lá”. Sempre que conhecia uma cidade ou país, logo ganhava nova vontade de saber um outro. Mais um, e novamente mais outro. Foi sempre assim, desde a primeira viagem. Do hábito de viajar fez-se vício, como droga que não se toma, mas se sente. Passei a sofrer do prazer de conhecer, da aventura, da procura constante de me misturar às gentes, aos lugares e às culturas. E assim colorir o meu mapa-mundo.

Viajar, conhecer e viver além fronteiras, não mata, torna-nos mais fortes. Recordámos o passado menor, temos esperança num futuro maior! E o regressar tem uma perspectiva diferente. Nem boa, nem má. Apenas diferente, da vida, do mundo, das pessoas, do país e, principalmente de nós próprios… Ao viajar acreditámos e idealizámos. Tornámo-nos bichos-do-mato, inconformados, sonhadores, fora da lei e felizes! A liberdade aumenta e, por vezes a libertinagem também. Felizmente, no final de tudo, tornou-se mais claro o meu lugar. (Re)confirmei-o. A saudade do que é nosso. O cheiro do cozido, o saborear das Francesinhas, o ouvir do fado, a emoção da Portuguesa, o palrar da pronúncia do norte, a brisa do mar! Não há nada com o regresso a casa, à nossa cama, ao abraço meigo dos amigos. Dei a volta ao mundo e quero este país à beira-mar plantado. Gosto da minha terra, amo as minhas pessoas, valorizo o que é meu. Como nunca! Nesta viagem, nesta aventura, inevitavelmente, (re)encontrei(-me) e (re)confirmei mais uma vez. O meu eu!

A força para criar estas memórias cresceu na infância. Nessa altura conheci-te. Na juventude fui para fora cá dentro, à aventura e de viola na mão, pela Europa andei. Sem querer, separámo-nos. Jovem, e apaixonado pela vida, delirei quando devia, cometi loucuras sempre que podia. Aí pouco te via. Foram os melhores anos da nossa vida e concretizei o que queria. Recentemente reencontrei-te. Agora, amo-te como sonhara. A química, o gostar e o amar. Finalmente! Afinal era isto que me movia…

Muitos relatos, algumas estórias, muitas emoções, algumas complicações. Seguramente momentos ímpares e inolvidáveis. Aqui fica o meu contar desta experiência de 40 dias, censurados ou (talvez) não. Vivências positivas, certamente sim. Partilho mais um pouco de mim, num relato diário, de experiências ao minuto. E pego, então, em mais um lápis de cor...

8 comentários:

raquel disse...

sem dúvida alguma...o melhor que a vida tem... o conhecer novas gentes...novas culturas e dar a conhecer aos outros as nossas belíssimas experiências...
parabéns!! amei! principalmente quando te sentiste o verdadeiro Vasco da Gama! beijinhos e continua a relatar tão extasiantes aventuras

Quina disse...

Ola....para já cheguei até á Australia.....estou a adorar....o relato esta bem conseguido...Parabéns pela ideia de dares a conhecer o teu "diario" de viagem........Bjs Quina

Ricardo Almeida disse...

Meu caro amigo,


Grande relato, sem dúvida!
O que me custa mais é... não ter ido contigo :)

Talvez daqui a 50 ou 60 anos!


Grande abraço.


Ricardo

Joao Paulo disse...

Hoje entrei numa parte do teu mundo que desconhecia! A porta aberta pelo livro e pela escrita deixou-me extasiado. Li-o ininterruptamente deitado na rede do terraço (também essa vinda duma viagem). A cada página quis saber mais e conhecer essa parte de ti que viveu, conheceu e passou por águas nunca dantes navegadas, qual Vasco da Gama. Estive lá contigo enquanto as tuas palavras me transportavam para recônditos destinos. As viagens também se fazem assim, mas na verdade senti um nó no estômago por não poder ter estado fisicamente contigo. Senti vontade de partilhar aqueles momentos. Quem sabe um dia não partilhamos outra zona do mundo e desta forma: www.longwayround.com
Espero ansionsamente que digas sim!
Grande abraço

Emília disse...

Miguinho....

acho que o João Paulo tocou na frida.... (mas não na Khalo....já não podia) .....realmente deixaste-nos a todos com um nó na barriga. O teu livro está arrepiante, principalmente, porque nos carregas com o peso na consciência de não termos sido teus companheiros de viagem. És levado da breca.....
Espero que a saga continue....agora que tens essa brilhante companheira de viagem....

Beijos aos dois...

Jose Alberto Cheu disse...

Obrigado pelos agradecimentos e pela vossa leitura do meu mundo! Näo foi fácil, mas está concretizado. Relativamente à vossa companhia, nunca é tarde para nada, pode ser mais ou menos díficil, mas näo impossível. Seja daqui a 50 ou 60 anos, meses ou dias.... Beijos e Abraços.

P.S. JP Queres comecar a pensar em Porto-Pequim?

João Paulo disse...

Vi agora o teu repto e comecei a pensar no que fazer para planear o Porto-Pequim. Achei que faria sentido começar por ver quantos Kms são: o nosso amigo Michelin deve saber, penso.... Afinal o mundo não está tão global... o viamichelin.com não permite traçar rotas para a China!!!

PS. A título de curiosidade até Moscovo são 4420Km. Bem dividido e com uma mota (não o que tens agora) deve dar para fazer em 20 dias!

Abraço,
JP

Jose Ferreira disse...

Como sou um gajo muito ocupado e criterioso no que leio, emprestei o livro ao meu "velhote", pois, além de avaliar o livro e de me dizer se deverei perder tempo a lê-lo, ele gosta muito de ler e tem um fascínio pela Austrália.
A avaliação dele foi muito positiva, mas como já não vou a Vila do Conde desde o dia em que casaste, se puderes enviar um livro sem aqueles "gatafunhos" na primeira página, agradecia. Tu sabes a morada.

Grand'abraço e continua a desbravar mundo.

Zé Carlos

P.S.: Eu sou dos "fico".